quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Dia Nacional do Trouxa









Inspirado pela temporada de feriados deste final de 2010, CoffeeBreak vem a público propor a criação do Dia Nacional do Trouxa. Afinal, trata-se de uma importante parcela da nossa população, na qual humildemente me incluo, e que merece ser lembrada e homenageada.

Neste nosso Brasil, trouxa é quem para seu carro, mesmo com o sinal aberto, para não fechar o cruzamento. Se bem que trouxa mesmo é quem ainda por cima respeita a faixa de pedestres, enquanto agüenta a buzina enlouquecida dos espertos que não se conformam com seu carro parado.

Trouxa é quem insiste em votar em pleno feriadão, mesmo que seja em branco, enquanto 20% de sábios se abstêm e correm para a praia. Trouxa é quem separa o lixo reciclável que, provavelmente, será misturado de novo com o lixo orgânico no processo da coleta.

Trouxa é quem paga taxas e encara processos burocráticos porque acha que a corrupção começa com o guarda de trânsito e o jeitinho nosso de cada dia. Trouxa é quem acha que mais vale uma estação do metro na porta de casa do que um bairro reservado aos ricos e bem nascidos que não podem se locomover pois não há mais espaço no transito (se bem que há saída para isso: como tem muito carro na rua, vamos aumentar o preço dos veículos e impedir que a gentalha tenha acesso fácil a este diferencial de classes).

Trouxa não compra ingresso de cambista. Não para em fila dupla. Manda os filhos usarem transporte público. Não compra DVD pirata. É usuário de qualquer uma das empresas brasileiras de telefonia celular ou telecomunicações em geral.

Trouxa sou eu, que “invisto” meu tempo escrevendo estas linhas de protesto que não irão mudar a realidade. Trouxa é você que está lendo isto. Um viva a nós, trouxas. Que venha nossa data nacional.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Medo de errar? Então você já errou!





Converse com qualquer profissional cuja carreira já passou dos estágios iniciais e o discurso será, com pequenas variações, o mesmo: “estou em busca de novos desafios, de aprender mais, a remuneração é secundária, resultado do trabalho, blá-blá-blá”.

Pois vivemos um paradoxo. Ou esta postura é absolutamente hipócrita, conversa para boi dormir, ou, pior, ainda não entendemos que o aprendizado passa, necessariamente, pelo erro. Afinal, se estamos todos aqui trabalhando com foco no nosso desenvolvimento, como justificar nossa cultura de medo em assumir erros e aprender com eles?

Fred Brooks, uma lenda viva da engenharia de software dos EUA, resumiu recentemente o conceito na Wired. Para ele, você pode aprender muito mais com a falha do que com o sucesso. Enquanto o primeiro te obriga a encarar a realidade e rever ideias, processos e atitudes, o segundo pode mascarar várias pequenas imperfeições. Poderia ser melhorado mas, como está funcionando, você acha que está bom.

Não, a ideia não é ser desleixado ou errar propositadamente. Mas assumir mais riscos, sem cair na armadilha imobilista do perfeccionismo. E, quando errar, encarar a situação como uma rica oportunidade de aprender, sem medo de enxergar a verdade. No lugar da busca por culpados, de tentar simplesmente se isentar, avaliar o cenário, buscar os fatores envolvidos na falha e mudar efetivamente a atitude e processos.

Vamos nos inspirar nos chineses. No início desta semana estava, por razões profissionais, no Salão do Automóvel de São Paulo. Dezenas de chineses andavam por todos os lados, fotografando e anotando tudo, do Buffet oferecido nas coletivas de imprensa à decoração dos stands. Estão aprendendo. Os primeiros carros de suas marcas ainda são toscos, quebram a toa e, mesmo baratos, vão encalhar nas lojas. Em quanto tempo eles vão transformar estes erros crassos em um caso de sucesso avassalador?

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

“Como é bom estar vivo”





Este texto é uma homenagem a um grande amigo. Como não há muito não posto nada no CoffeeBreak e não terei tempo de esperar que ele leia isto e consinta, opto por não citar seu nome – quem o conhece vai saber na hora de quem se trata, ou já matou pelo título do post. Vamos chamar-lo apenas de Cé.

Convivi muito pouco com meu pai. Assim, meus principais mentores foram chefes, autores, clientes (sim, convivi, mesmo que rapidamente, com grandes executivos e líderes de todos os tipos), minha mulher e colegas. Entre estes últimos, o Cé é daqueles que cada dia fazem mais diferença.

Trata-se de uma pessoa peculiar, diferenciada, o que em si já é um exemplo. Também por isso, o Cé não é unanimidade. Não. Acho mesmo que, neste nosso universo corporativo muitas vezes tão atrasado quando o debate sobre homofobia e aborto na atual campanha para presidente, o Cé é um incompreendido. Um outsider. Pena.

Criativo e bem humorado, ele estava a maior parte do tempo rindo, feliz. Cumprimenta todos que encontra e não perde uma oportunidade de começar uma nova conversa, uma nova amizade. O Cé é daquelas pessoas que a moça que pesa o prato no restaurante a quilo conhece pelo nome – juro, já testemunhei uma delas discutir com ele se deveria ou não terminar com o namorado.

O Cé é inventor de piadas que, muitas vezes, não tem a menor graça para a maioria dos ouvintes. Não importa. Ele a conta de novo e, sem esperar a reação da platéia, começa a rir com tanta graça que logo todos o acompanham. E a repetição do tema, em si, se torna a grande piada.

Entre as milhares de histórias em torno de seu nome, há a das tiradas de humor junto a clientes corporativos em reuniões de trabalho. Alguns o criticam por isso, e não dá para dizer que ele sempre se deu bem. Mas acho que ele sacou algo mais profundo sobre as relações pessoais. Corajoso, não tem medo de se passar por tolo, pois sabe o valor de um sorriso. Já o vi desarmar executivo feroz e virar o jogo depois de uma piada.

De manhã, animado, dá bom dia a todos. E, quando percebe que o clima não está nenhuma maravilha, solta seu “como é bom estar vivo”, tentando lembrar que há um mundo lá fora e coisas mais importantes que a importância que damos a nós mesmos e nossos medíocres problemas profissionais.

Não. O Cé não é perfeito. Já o vi de mal humor, inseguro e achando que as coisas não iriam dar certo. Disse que estava ficando velho e impaciente com a bagunça dos filhos no apartamento, com as coisas fora do lugar. Mas, na maior parte do tempo, ele estava com seu sorriso de garoto acreditando que, apesar de tudo, no final podemos rir, então valeu a pena.

Um dia, perguntei a ele de onde vinha tanto otimismo e cordialidade. E então ele me revelou seu segredo: “não é natural não Gui! Me dá um trabalho danado levantar de manhã e colocar este sorriso no rosto, superar o mal humor e tentar pegar leve.”

Foi então que percebi que todos podemos ser um pouco Cé, com mais leveza, alegria e inspiração em nossas vidas, não permitir que a loucura do trabalho apague nossa vida. Não. Colocar vida no trabalho e se divertir com isso.

Infelizmente não trabalho mais com o Cé – ele recebeu uma proposta irrecusável para voltar para a redação. Há alguns meses, me encontrei com ele num café e fiz questão de agradecer tudo o que aprendi com ele e, ainda hoje, tento colocar em prática na minha vida. Hoje achei que deveria dividir isto com quem perde seu tempo lendo este texto. Que o exemplo do Cé nos inspire.

domingo, 3 de outubro de 2010

Inovação dentro da caixa?




Primeiro aos fatos:

1. Na edição de setembro da Wired norte-americana, seu editor-chefe, Chris Anderson, levanta a tese, fundamentada em dados, de que a internet como a conhecemos está em crise. Aplicações fechadas em aparelhos como iPhone, iPad, televisores e outros já registram maior uso de banda na rede do que os convencionais endereços www. Isto significa que, ao invés de navegar livremente pela web, estamos usando serviços baseados na internet mas fechados. O Facebook, maior rede social do mundo é um exemplo. Twitter, Skype e YouTube são outros. Quanto mais gente tem acesso à internet, mais buscam serviços fáceis e práticos, porém restritos e cobrados. O conteúdo editorial de jornais e revistas, que quase faliram com os sites grátis e que agora correm em debandada para os leitores digitais como Kindle e iPad são o melhor exemplo. O sonho geek de tudo de graça para todos numa rede sem limites está perdendo terreno para o sistema convencional de pagar pelo que se quer. A culpa? Nossa mesmo, pois queremos rapidez, segurança e qualidade.

2. Na sua edição de setembro, a Época Negócios apresenta sua segunda lista de empresas mais inovadoras do Brasil. Desta vez, porém, houve uma mudança na metodologia. Adotaram parceria com a consultoria A.T. Kearney e trouxeram para cá o prêmio Best Innovator. O resultado foi uma lista radicalmente diferente da anterior. Afinal, o Best Innovator dá grande peso a como as empresas se estruturam para criar processos de inovação e quantos destes projetos chegam ao consumidor com retorno financeiro. Em linhas gerais, são premiadas empresas que conseguem transformar inovação em lucro. Ou seja, criar novidades se torna um processo, como a qualidade e o controle de estoque. As frases de Alfred Hackenberger, presidente da BASF (cuja divisão de tintas ficou em segundo na lista) para a América do Sul são emblemáticas desta forma de pensar inovação: “Ideia que não gera lucro é invenção” e “inovar não significa ter liberdade total”, disse ele na reportagem.

Agora as análises:

1. Copo meio cheio: este é o processo tradicional do capitalismo que acaba incorporando seus críticos. Quantos artistas radicais e rebeldes de ontem não se tornaram os novos campeões de vendas de hoje? A troca de músicas via pirataria está perdendo espaço para a venda barata de faixas no iTunes. A criação de novidades se tornou tão importante no mundo corporativo que hoje já se organizam formas para incorporar este procedimento, de forma padronizada, aos demais fluxos organizacionais e gerenciais das grandes empresas. E com bons resultados. Não há mais volta. A sociedade é digital, quer melhorias constantes, novidades e serviços que funcionem de forma simples e pratica sem pagar muito por isto. Ótimo.

2. Copo meio vazio: preconceitos à parte, tenho um pouco de medo de tornar a criação um processo. Não que inovar seja simplesmente lidar com o caos em estado bruto. Mas acredito que ao se organiza demais a geração de novidades e seus filtros, pode-se dar um tiro no pé. Inovar depende de um olhar novo, de uma mistura de concentração com divagação, da busca de referências em outros campos, de experiências diversas. Vai ser preciso muito esforço para encontrar um equilíbrio entre o processo corporativo e a manutenção deste frescor, desta vontade de pensar alem. Estamos colocando a inovação dentro da caixa?

sábado, 25 de setembro de 2010

A nova fronteira do compartilhamento na Internet








Duas grandes tendências parecem hoje apontar o nosso futuro: a massificação do uso da tecnologia digital, em especial a baseada na troca de dados por meio da internet, e uma maior conscientização sobre a importância de se conservar nosso planeta e preservar seus recursos naturais. Tomara.

É interessante notar que as duas podem se unir e gerar uma forte sinergia. As redes sociais tem sido forte fator de divulgação de conceitos inovadores no que se trata de buscar uma relação mais sadia com nosso meio ambiente. A tecnologia tem permitido desenvolver produtos como os leitores digitais que, no médio prazo, podem reduzir drasticamente o corte de árvores para produção de livros e revistas.

Mas talvez uma das possibilidades mais interessantes a ainda menos aproveitadas deste casamento seja o compartilhamento de bens físicos.

Na Wired de Setembro, Clive Thompson (sempre ele) conta o caso do francês Gary Cige que precisavam de uma furadeira para um trabalho rápido. Comprar uma para usar apenas por meia hora parecia desperdício (além do que, era domingo e as lojas estavam fechadas). Então ele percebeu que estava cercado de furadeiras, guardadas nas garagem das casas a seu redor, mas nenhuma delas estava a seu alcance. Nasceu assim o Zilog, serviço que, usando a dinâmica das comunidades digitais permite o aluguel rápido e barato de quinquilharias que compramos para usar de vez em quando – ou mesmo do carro que o vizinho vai deixar na garagem.

Pelos números apresentados por Clive, a ideia pegou. O Zilog tem mais de 150 mil itens disponíveis para aluguel e registra media de seis mil transações por mês. Mais, é o serviço de aluguel de carros de maior crescimento na internet francesa.

Mas o ponto aqui, para mim, não é apenas de empreendedorismo, ou de conseguir alguns trocados a mais alugando as coisas que você tem e não usa todos os dias. A grande questão é que ações como esta permitem um passo à frente no tal consumo consciente. Já parou para pensar no tanto de coisas que você compra e ficam paradas na sua casa? A web é uma ótima maneira de fazer estes objetos circularem e atenderem a necessidade de outras pessoas.

O formato das redes sociais, onde podemos conhecer a reputação de um desconhecido ou mesmo encontrar algum amigo em comum que possa fazer a “ponte” virtual ajuda a quebrar a barreira da desconfiança. Quem já usou o Mercado Livre, por exemplo, percebe o quanto estas ferramentas permitem aproximar e gerar negócios entre estranhos.

Na XPress, onde trabalho, estamos construindo, com base na intranet, um serviço interno que permitirá aos colegas emprestarem DVDs, Livros e Cds. Cada um lista seus itens e quem quiser ver determinado filme simplesmente pede. O sistema vai ajudar o dono a saber com quem está o material e desde quando. A proposta é dividir cultura e conhecimento pela agência, matéria prima básica da criatividade. E colocar para circular o material que fica parado na estante.

Este é apenas um exemplo do muito que pode ser feito para, inovando um pouco, aproveitar as redes digitais e gerar uma nova postura de dividir, não apenas informação, mas o acesso a produtos e serviços. Seu bolso e a natureza agradecem.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Desliga este micro e vai pensar












Ia deixar o assunto de lado por um tempo, mas ele veio ao meu encontro. Então correrei o risco de ser repetitivamente chato. Mas o motivo compensa. Quinta passada, em sua coluna semanal na Folha, o escritor e psicólogo Contardo Calligris, uma de minhas referências, abordou a importância da divagação para inovar. Vale citar: “Usando apenas o ‘controle executivo’ focado, conseguiremos cumprir adequadamente (mesmo assim, à condição de que não haja imprevistos), mas não inventaremos nada. A própria invenção científica (não só a criação artística) pede um uso simultâneo de controle executivo e divagação”.

No texto, Contardo lembra que o próprio Freud recomendava que, numa sessão de psicanálise, “os pacientes fossem escutados com atenção flutuante”. Segundo ele, a chave que leva nossa mente a encontrar a solução inovadora normalmente está em contexto diferente do problema a ser solucionado. Sim, as grandes invenções juntam elementos e conceitos que normalmente não estariam juntos. Ao focar apenas na questão, estaríamos barrando “pensamentos estrangeiros” onde pode estar o gatilho da criação.

O artigo oferece ainda links para duas pesquisas científicas sobre o tema (um aqui, outro aqui). A ciência, vale dizer, está mesmo enveredando pelo tema. Ainda na Folha, mas no seu encarte do The New York Times de 23 de agosto, que publicou como principal artigo reportagem sobre um grupo de neurocientistas dos Estados Unidos que decidiram experimentar na pratica os benefícios de desligar o cérebro do mundo digital.

Eles ficaram uma semana sem qualquer equipamento eletrônico no meio de um parque natural para entender como o excesso de estímulos digitais está mexendo com nossa atenção. Como um computador, temos um espaço aparentemente limitado em nossa mente para as atividades conscientes, a memória de trabalho. A tese destes pesquisadores é de que a ansiedade gerada pelos impulsos digitais – muitos ficam nervosamente esperando o que trará o próximo e-mail – estaria tomando parte significativa do espaço que poderia ser destinado ao raciocínio.

Ainda não há conclusões mas, segundo o texto os estudiosos perceberam na prática a diferença depois da semana que passaram desligados e estariam “aptos a recomendar um pouco de tempo ocioso como sendo o caminho para um pensamento mais ordenado”.

Voltando ao Contardo, ele encerra o texto dele sugerindo que se reveja nossa “hipervalorização da atenção focada”. Sugere o equilíbrio (sempre ele) entre foco e devaneio. Já eu sugiro que você desligue este computador e vá tomar um café.







Ah, te peguei. O que você ainda está fazendo aqui? Bom teimoso(a), se não vai desligar, aproveite e leia outros textos do CoffeeBreak sobre o tema:

Excesso de foco tira criatividade
Teorias CoffeeBreak: perder o foco é deixar a mente preencher as lacunas
Pesquisadores comprovam: CoffeeBreak pode ter razão

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Pensar é moer, moer é pensar



O cinema nacional parece finalmente acordar para os novos tempos. Fiquei muito bem impressionado com “Reflexões de um Liquidificador” não apenas pelo filme em si (uma bela e curta comedia de costumes falsamente despretensiosa) mas por toda a ação desenvolvida em torno dele. Pelo menos aqui em São Paulo.

Como costuma acontecer, meu primeiro contato com o filme foi o trailer que, preciso confessar, não me fez colocar a película (ainda se pode chamar um filme de película?) na lista de próximas a serem assistidas. Minha mulher, que estava comigo, se entusiasmou ainda menos. É importante notar que costumamos dar preferência às produções nacionais e que temos em casa, por exemplo, o DVD do ótimo “Saneamento Básico”.

“Reflexões” tinha tudo para cair no esquecimento até que um dia, checando novos seguidores no Twitter, dei de cara com o perfil @oliquidificador . Sim era ele, o personagem principal do filme, levando suas reflexões insólitas às redes sociais. Percebi então que havia algo mais naquela história.

Numa tarde de emenda de feriado decidi finalmente assistir “Reflexões de um Liquidificador”. Saltei do metro na Paulista e desci até o Espaço Unibanco da rua Augusta. Enquanto esperava na fila da bilheteria, outra surpresa: todo o cinema estava “vestido” com o tema da fita. Mais que isso: um cartaz apresentava a programação paralela do filme: curta-metragens abrindo as sessões, descontos para os horários da tarde e apresentações diárias de stand-up comedy no final do último horário.

Bingo! Transformaram a exibição num evento maior, agregando outros elementos, inclusive do teatro, gerando conteúdo para divulgação e ampliando a visibilidade do filme. Para complementar, o trabalho no Twitter busca causar estranhamento e gerar o boca-a-boca entre os formadores de opinião (sem cair no lugar comum de ficar divulgando horários e endereços das sessões etc.). Finalmente uma estratégia abrangente e inteligente de comunicação para o cinema nacional.

E os resultados? Bom, depende da expectativa. “Reflexões de um Liquidificador” não é o novo “Se eu fosse Você” e está longe dos primeiros postos da bilheteria brasileira. Mas está a várias semanas em cartaz em São Paulo e, no dia em que fui, com a sala cheia. O perfil do Twitter tem pouco mais de 300 seguidores, mas acho que o foco é mais qualidade do que quantidade.

Minha opinião, vendo de fora, é de que faltou um pouco de verba para divulgar melhor este trabalho. Pesquisando na Internet, por exemplo, não achei em lugar nenhum informações sobre a programação paralela no Espaço Unibanco. Se eu não tivesse ido ao local, talvez jamais tomasse conhecimento disso. Também acho que o liquidificador poderia ser mais ousado. Pedi a eles uma entrevista para o blog da XPress e, depois de aceitarem receber os dados sobre quem iria falar com “ele” jamais entraram em contato. Uma pena, pois uma estratégia tão diferenciada não merece morrer na praia. Afinal, “pensar é moer, moer é pensar”.